2010/03/14

muito bom discurso de rangel

 

Subscrevo inteiramente o que li no cachimbo de magritte;

Rangel disse várias coisas importantes: a mim basta-me referir esta, para explicar a afirmação com que comecei este post: «O PSD tem de se distanciar do PS, mas tem também, e digo aqui sem timidez, sem meias palavras, tem também de afirmar a sua absoluta independência e de ser capaz de estar acima desses interesse financeiros, desses interesses económicos, desses interesses corporativos de toda a ordem, que são hoje a marca e a mancha do Governo do PS.» Exactamente, desses. Hoje. Basta. O mais importante nesta frase é o «também».

Esta demarcação da esfera de influência dos interesses económicos e corporativos é mais um campo de ruptura, onde se pode fazer a diferença. O conluio, o nepotismo e o favorecimento, marcas de água da política actual têm que ser afastadas. É preciso outra forma de estar na política e isso tem que partir de cima para baixo. Precisamente em antítese com o ps.

Daí que, como o escritor desse post (Jorge Costa), embora não me revendo em boa parte do que Rangel tem dito desde que anunciou a candidatura, penso ser o único candidato capaz de governar o país.

2010/03/13

país de memória curta, ou como hoje se idolatra a quem antes se apedrejou

 

Fico perplexo com os comentários de Constança Cunha e Sá e Ana Sá Lopes.

Marcelo, o comentador, é endeusado e tratado como o messias do psd por boa parte dos comentadores políticos. Os seus discursos são de líder, é acutilante e preciso, enfim, é aquilo que falta na liderança do partido e, quiçá, do país.

Estes mesmos tecedores de loas são os que criticaram Marcelo quando foi líder do psd. Porque Marcelo foi líder do psd. Lembram-se??? Mesmo??? Quando líder era a besta. Usava o discurso fácil, não tinha qualidade como político, enfim, todos reconheciam que era um excelente comentador mas um péssimo líder do psd. Foi um líder show-off, sempre à procura da notícia, do aparecer, e quase sempre pelos piores motivos. Era considerado um líder intriguista, fomentador de discórdias.

Será que estão a falar desse mesmo Marcelo? É esse Marcelo besta o agora salvador bestial Marcelo?

Marcelo é um fraco político. Falta-lhe capacidade para aglutinar inteligência à sua volta, com a sua tendência a apagar quem o aconselha. É um político que não resiste à intriga fácil, características que o tornam um bom comentador. Tem a tentação dos média e uma obsessão em aparecer. Reconhece-se capacidade para pensar os problemas mas falta-lhe o foco em criar soluções. É, sem sombra de dúvida, muito inteligente, mas falta-lhe capacidade para por em prática. É um líder autoritário, pouco habituado a criar consensos e ouvir a diferença. Isto foi o que retive dos 3 anos que Marcelo esteve à frente do psd. Mas, pelos vistos, fui apenas eu. 

mas há palavras que fazem história

 

O editorial do I diz que os candidatos à liderança do PSD vão hoje falar de mudança e de ruptura. Deviam saber que a história apaga o significado das palavras.

Basicamente, o que se retém do editorial é a descrença do autor em palavras sonantes que, segundo ele, estariam a ser atiradas para o ar pelos candidatos à liderança do psd.

Esse é um receio que partilho, sem, no entanto, partilhar a descrença no espírito oratório da política. As palavras são tão necessárias como os actos que as podem (devem) acompanhar. Compreendo e comungo da ideia de desgaste e exaustão das rupturas e das mudanças. Mas também é verdade que quem queira romper tem que usar essas palavras. Tem que usar essas e não outras. Tem que ser directo, sem rodeios, sem medo de usar as palavras.

Rangel pode não querer mudar o nome ao partido. Pode nem definir um rumo à esquerda ou à direita ou mesmo mudar o paradigma político do partido. Fazer isso, a mudança para ser vista, a mudança descaracterizadora, seria

Não é preciso isso para romper. Basta começar em coisas simples, nas atitudes políticas quotidianas, no romper com a subserviência ao baronato do partido, no afastamento dos políticos sem nível, sem perfil e sem honestidade. Na criação de um espaço de debate que se dirige da sociedade para o partido e não o contrário. Na introdução da pluralidade de ideias e formações que reflictam a sociedade e a representem no partido.

Os partidos políticos em Portugal são um factor de estrangulamento de ideias. Afunilam o que recebem da sociedade e o que recebem é muito pouco. São estruturas que vivem desligadas do país, com pouca democracia, com castração mental de quem pensa além do dogma e, fundamentalmente, com poucos capazes de pensar além do dogma. São caixas de ressonância dos seus líderes e não adjuvantes na pluralidade que lhes devia chegar, de forma a poderem tomar a melhor de todas as decisões que lhes chegam, e não verem a sua opinião sabujamente bajulada como se fosse a descoberta da penicilina. As boas ideias nascem do confronto, da divergência e da discussão internas. Quando todos pensam para lados diferentes mas remam para o mesmo. Actualmente, todos pensam da mesma forma, mas remam para lados diferentes.

Essas mudanças anunciadas podem não passar do papel que o candidato recebe, podem não passar de brisas de vento que o candidato declama. Mas condená-las  à nascença, sem lhes dar hipótese de frutificar não me parece o mais correcto. Todos nos sentimos enganados pelos políticos, pela falta de coerência entre o discurso e a acção, mas desdenhar todo o que usa palavras sonoras é correr o risco de não aproveitar a diferença quando ela se nos apresenta. Como na justiça, todos são inocentes até prova em contrário.

O psd tem nestas eleições uma possibilidade de marcar a diferença. Espero que a aproveite, para bem do partido e sobretudo para bem do país. E as palavras liberdade e revolução não estão gastas nem perderam força. O que perdeu força foi a crença em que usava essas palavras. Essas estão lá, intocáveis, e cada vez fazem mais sentido. O que faz falta é alguém que as empunhe como uma espada e corte a direito neste marasmo.

2010/03/12

vai dar banho ao chien

 

Jaime Gama vai decidir se paga ou não as viagens a Inês de Medeiros

Espero que Jaime Gama mantenha a coerência de cortar regalias e privilégios desproporcionados aos deputados da nação e em conformidade mande esta sra deputada apanhar morangos.

Uma deputada tão interventiva, com uma oratória maravilhosa que já tantas vezes deliciou o parlamento merece ser tratada como uma princesa.

Viagens diárias para Paris à custa da plebe? Não se fique por aí, sr. Presidente… Ofereça-lhe uma viagem em primeira classe para Vanuatu. Mas só de ida…

2010/03/11

não há nenhuma situação que, por mais má que seja, não possa produzir possibilidades

 

Retive esta ideia da entrevista ao maestro Benjamin Zander na entrevista Pessoal e Transmissível da tsf. 

Para ilustrar esse pensamento contou a história dos dois vendedores de sapatos que foram mandados para áfrica no principio do séc XX, para ver se conseguem vender lá sapatos. Eles enviam o seu relatório para manchester, inglaterra. Um escreve um telegrama em que diz: situação desesperada. eles não usam sapatos.     Outro escreve: oportunidade extraordinária. eles ainda não têm sapatos.

É uma entrevista muito interessante, que vai bastante para além da música, e que traz reflexões muito interessantes, não sobre optimismo mas sobre a possibilidade. 

cavaco, o desconfiado

 

Não vi a entrevista do excelso pr no canal1, mas o que li na imprensa, a ser verdade, é de uma gravidade assinalável.

Cavaco não confia em sócrates. Para o presidente, o governo sabia do negócio pt-tvi, algo que ainda está em discussão numa comissão de inquérito.

Mas cavaco que não confia em sócrates alega que não o pode demitir só porque nele não confia. Compreensível… ou não…

Gostava de citar  cavaco no seu artigo em que afirmou que "a má moeda expulsa a boa moeda". O que antes era verdade hoje é mentira? Ou estará cavaco à espera que um artigo de um notável ps lhe dê, como ele em tempos o fez, o amparo para demitir este governo?

2010/03/10

velhos hábitos são difíceis de perder

 

Lula compara dissidentes cubanos aos criminosos brasileiros

Tal como uma besta será sempre uma besta, um comunista será sempre um comunista. E por vezes na mesma pessoa.

treinador de bancada

 

Adeus Champions. Este FC Porto não pertence a uma competição destas

Um título destes diz tudo e eu subscrevo-o na íntegra. O que mais me custou foi o gozo de um espanhol, às primeiras horas da manhã. Já ontem, depois da equipa presentear os ingleses com uma autoestrada para o terceiro golo, desisti e comecei a ouvir os podcasts que tinha em atraso. Até ouvir a Joana Amaral Dias dizer que se ela é barbie os outros são pokemons me deu mais prazer. E ouvir a joana sem a ver é dose… nem os olhinhos descansam…

costela comunista (ou a insanidade temporária)

 

Fernando Pinto: “Greves são do século passado”

Deste século são as remunerações absurdas a gestores de empresas públicas com prejuízos volumosos. Deste século são os bónus a gestores de empresas públicas com défices tremendos. Deste século são as renovações das frotas de automóveis da administração em ano (são todos) de perdas.

Isto sim é deste século. Quem disser o contrário é comunista e come criancinhas ao pequeno almoço.

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2010/03/09

em estudo para o cabaz

 

O Homem que Sonhava ser Hitler - Tiago Rebelo

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abutres à espera dos despojos

 

Carlos Coelho esperar para "ver como corre congresso" para escolher o seu candidato

Esta atitude é inqualificável para um dirigente do psd. As ideias dos candidatos estão expostas, o seu rumo político definido (mal ou bem…) e só falta saber para que lado pende a balança. Os oportunistas colocam-se atrás, observam a maré, e decidem consoante o desenrolar dos acontecimentos, tendo em conta o que a maioria vai manifestando.

É fácil ser político assim, é fácil ganhar, é fácil ter cargos, é fácil colher louros. O difícil é ser honesto e defender as nossas convicções, sejam elas quais forem.

jogos de sombras

 

Senador anti-homossexual confessa: “sou gay”

O cúmulo da hipocrisia, tanto ou mais ridículo pelas desculpas que apresenta. Ai e tal… foi a pressão do eleitorado… Bolas! Há alturas em que os homens precisam de ser homens, mostrar que têm as bolas no sítio, nem que seja para dizer que gostam de ter as bolas dos outros nas mão! Sejam homens!

2010/03/08

adoro as crónicas do mec

 

Desejo sinceramente que a Leya se foda, escreve miguel esteves cardoso. Crónica reproduzida no cadeirão de voltaire.

São raras as crónicas assim, escritas com raiva, com os sentimentos à flor da pele, com linguagem crua e muito usada, sem artifícios nem palavras mansas.

A destruição de livros pela Leya é criminosa. Há não muito tempo, tentei fazer uma mini-biblioteca numa aldeia esquecida do interior transmontano. Achei um projecto interessante atrair as pessoas para a leitura, para a discussão, introduzindo-lhes novos hábitos, criando a rotina da leitura. Pedi a todos os grupos editoriais livros, expliquei o projecto nas cartas que remetia, ofereci-me para prestar todas as informações necessárias. Éramos uma associação juvenil e ao abrigo da lei do mecenato as doações que nos fizessem teriam dedução fiscal. Enfim… Quantos livros recebi? Meia dúzia. E não querendo ser mal agradecido, até porque os aceitei todos, eram todos dignos de ser papel para reciclar. Eram péssimos livros, completamente invendíveis, sobre temas especializadíssimos, livros para minorias. E todas as editoras me pediam recibos de donativos com o valor de venda ao público desses livros… Enfim…

Da Leya recebi a ausência de uma resposta. Recebi nada. E se há livros que seriam bem recebidos seria literatura portuguesa. E mais, ofereci-me sempre para pagar os portes de envio.

Que queixa resta? Eu pagava os portes de envio e passava recibo ao abrigo da lei do mecenato! Que mais queriam? É uma vergonha.

Como o mec, quero que a leya se foda!

paris, je t'aime

 

Gostei muito de ver este filme. Uma viagem por paris através dos olhos de realizadores de várias origens, resultando numa mistura eclética de géneros e argumentos, de estilos e cinematografias.

Ficou-me na retina o segmento Place des Fêtes do realizador Oliver Schmitz que também foi o argumentista. Uma história de opressão negra, a que não será alheia a origem sul africana do realizador, com desencontro e encontro, com compaixão e insensibilidade.

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o roto e o nu

 

Cavaco tem “mau hálito político”, diz Morais Sarmento.

Não discordo da afirmação mas permito-me acrescentar, diz o roto ao nu!

Discordo de cavaco como sempre discordei, é uma antipatia quase visceral que sinto por ele. Reconheço-lhe o mérito académico mas não lhe vejo qualidade como político. Foi um tecnocrata, um homem que reduzia a números a sociedade, pouco preocupado com os portugueses como povo, obcecado com portugal como estatística.

Achei vil e perturbante as suas intervenções como pensador nos tempos finais da presidência sampaio e achei lamentável e de uma baixeza enorme o seu artigo boa e má moeda.

Tenho como orgulho para mim nunca ter votado em cavaco. Devia dar direito a cartão de militante e a tag para blogue.

Mas morais sarmento é um político da pior espécie, oportunista e rasteiro, sabujo e viperino. Pauta-se pelo que critica e nunca pelo que propôs. Aliás, desconheço-lhe ideias ou projectos. Esta frase é fait-diver, boa para fazer leads estrondosos e reaparecer na imprensa em vésperas de eleições no psd. E só isso mostra a criatura. É caso para dizer que o hábito faz o monstro.