2003/09/04
Atrocidades pela religião
Também eu sou totalmente contra o aborto. Agora matar um médico que o praticava (e o seu guarda-costas que não tinha culpa nenhuma) e afirmar que se o não fizesse nunca mais se poderia ver ao espelho é revelador de um fanatismo religioso próprio de países árabes radicais. Isto passou-se nos Estados Unidos, nos quais houve um verdadeiro levantamento popular contra os extremismos em nome de políticas ou religiões. Este cada vez maior peso da religião nos discursos da presidência, esta reconversão súbita e desesperada ao cristianismo, nomeadamente ao protestantismo (na maioria às igrejas com discursos mais radicalizados) que se seguiu ao 11 de setembro, no país com mais alta percentagem de ateus (8% em 1998) é assustadora e anuncia muitas mais atrocidades a serem cometidas pela luta do bem contra o mal e em nome de um Deus, que qualquer que seja, as condena.
Ancas
Uma característica feminina que sempre me atraiu terrivelmente é o ter ancas largas. E com os conhecimentos antropológicos que agora tenho resta-me presumir que é a associação de uma mulher de ancas largas a uma boa parideira. O homem das cavernas que há em mim a manifestar-se com todo o vigor da vontade de ter extensa prole e espalhar a carga genética pelo maior número de boas parideiras possível.
Literatura Portuguesa e o seu ensino
Os programas curriculares de ensino da Literatura Portuguesa são algo deveras enganoso. Os alunos ficam com uma ideia da LP errada. Nos currículos a poesia é maioritária. Dá-se uma ideia de que só na poesia tivemos grandes autores, ficando a prosa e o drama relegados para planos infinitamente secundários. Mas será que realmente é assim? É certo que os, para mim, grandes génios literários escreveram maioritariamente poesia. Refiro-me a Luís de Camões e a Fernando Pessoa. Mas, mesmo este último, tem obra em prosa que deveria ser realçada.
Um dos meus autores favoritos, e um dos grandes autores em língua portuguesa é Camilo Castelo Branco. Este autor foi completamente arredado do ensino. De ele faz-se uma resenha histórica, mencionando-se também o nome de algumas das suas obras. No fundo, todo o período ultra-romântico é menosprezado. É ensinada com grande vigor a mudança que a Geração de Setenta, que introduziu o realismo e o naturalismo em Portugal, propiciou. O Ultra Romantismo é colocado sempre no papel de “mau da fita” representando a decadência literária e toda a degradação de costumes da sociedade portuguesa de então, como se fosse directamente responsável por tal. A carta de Antero de Quental, Bom Senso e Bom Gosto é mostrada como um magnífico exemplo da troca de opúsculos polémicos que ocorreu na altura. A carta resposta de Camilo, Vaidades Irritadas e Irritantes é mencionada pelo título e nunca objecto de estudo mais atento; e eu, considera a última um dos maiores exemplos de epístolas polémicas da Língua portuguesa, sem sombra de dúvida infinitamente superior, literária e estilisticamente, à de Antero.
Noutros países da Europa, nomeadamente em Espanha com Cervantes e o seu D. Quixote e em Inglaterra e Estados Unidos com William Shakespeare, os grandes autores da língua são extremamente valorizados, sendo-lhes dedicada uma quantidade de tempo muito maior que em Portugal. Só com tempo se consegue alcançar com alguma aproximação as obras dos grandes da nossa literatura. Com isto quero dizer que o tempo dedicado a Camões e a Fernando Pessoa é muito reduzido para se ter a pretensão que os alunos entendam minimamente o esplendor da obra literária destes dois autores. De Pessoa fica-se com a impressão de génio esquizofrénico e louco, que tinha várias pessoas dentro dele, logo um doido varrido. De Camões que foi um génio lá no antigamente, namoradeiro e valentão que morreu na miséria. Das obras, fica que os Lusíadas têm dez cantos, foram e são a obra máxima da pátria e pouco mais. De Pessoa que escrevia poemas muito malucos, difíceis de analisar como tudo e ... mais nada.
Moscas em filmes
É de ficar espantado com o papel tão importante na cadeia trófica que “holiodiscamente” lhes é sonegado. Mas porque será que estas fontes de perturbação não aparecem em filmes? Cá para mim este é mais um dos casos de discriminação das minorias. Holliwood revela mais uma vez um idealismo utópico de mundos ideais sem qualquer paralelo com a vida real. Isto é revoltante e alguém deveria tomar medidas para o corrigir. Apelo desde já ao Bloco de Esquerda, partido que sempre se mostrou aberto à defesa das minorias, que muitos invocam e ninguém apoia. Caros deputados do BE, façam uma petição à Assembleia da República por forma a ser proibida a projecção de filmes, que por não incluírem estes artrópodes, estão a atentar contra os mais elementares princípios dos direitos das minorias.
Lavagem cerebral
Li um artigo no site americandaily sobre lavagem cerebral que os professores americanos, segundo o autor tudo resultados do movimento hippie e frustrados por ter alunos que podem ter realizações profissionais mais lucrativas, fazem aos alunos ( no campo da política, história, etc). Ainda esse autor levanta a questão sobre a pertinência de se obrigar os professores (e eu acrescento todos os funcionários públicos) a um juramento de neutralidade política (e também acrescento eu, como as forças militares já o são). Quanto a este assunto, e sem assumir as teorias da conspiração que o autor do texto cria e sem entrar em diatribes sobre boas e más ideologias e o afastar as criancinhas da moral, religião e etc que os professores promovem, concordo que ao longo da minha vida estudantil me deparei com parcialidades (principalmente políticas) que me tentaram influenciar ou condicionar a minha escolha de valores e/ou ideologias. Outro campo do conhecimento que nos é mal ensinado é a História. E aqui saliento alguns títulos de assuntos mal-ensinados, ou melhor, com os “ensinamentos” do 25 de Abril e à boa maneira soviética de educar o povo, foram ensinados da maneira que as elites que decidiam acharam mais adequada para o cidadão ter a melhor compreensão da História como eles pensam que deve ter acontecido.
África – é preciso mudar(?)
“As reformas económicas em África só terão sucesso quando forem acompanhadas de reformas políticas”. Mas até que ponto será lícito que as civilizações ocidentais responsáveis pelas reformas económicas imponham regimes políticos, leis e reformas, que no seu ponto de vista são avanços civilizacionais, a povos ou países que não os pediram. Temos como exemplo de mudanças exigidas a democracia (por oposição às múltiplas ditaduras africanas), a separação entre os militares e a política (quando em África se vive um clima de alternância entre golpes militares), afastamento entre a política e a religião (esta é uma problemática de países com maiorias árabes, veja-se o exemplo da aplicação de leis religiosas como civis na Nigéria e a confusão que daí deriva; mas também em países de maioria católica, com bispos e padres demasiado interventivos, veja-se o exemplo de um religioso de Cabinda que é o porta-voz dos rebeldes), reformas administrativas e judiciais (neste ponto nem vale a pena comentar a situação em que se vive...).
2003/08/25
Subscrever:
Mensagens (Atom)