2009/03/22

Sem ti. O fim em si...

Estou sem ti. Definitivamente, para sempre sem ti. Sinto não dor que me consome mas saudade que me castiga.

Como esquecer o amor de uma vida, a nossa alma gémea? Alguém o sabe, ou melhor alguém o fez? Para mim é um reto impossível, um desígnio que nem os deuses alcançaram. E eu probre mortal estou condenado a uma vida a carregar esta dor.

Quando me deito começa a percorrer-me uma ansiedade devastadora. Sinto o estômago a contrair-se e enroscar-se como um cão velho. A minha mente de forma incontrolável começa a pensar em ti, autónoma e castigadora. A nostalgia invade-me. Sinto saudades de ti, ciúmes daquele a quem dirás no futuro que amas, como um dia mo disseste a mim. Sinto saudades de ti, uma nostalgia profunda, pois sei que nunca mais mo dirás, que nunca mais to direi. Isso torna-se tão mais dilacerante quanto mais sei que nunca mais te esquecerei. És parte de mim, um siamês que não se separa tão vitalmente unido estará. E sinto pena. Pena de quem a seguir me disser que me ama, de quem não conseguirei mais amar desta forma tão única.

No entanto, fui feliz. Senti o amor, aquele que fez cair reinos e mover montanhas. Senti-o na alma e entreguei-me a ele rendido, dedicado, escravizado. Tenho pena de quem nunca o sentiu tão mais porque não sabe como algo assim pode ser especial, diferente e transformador.
Resta-me entregar-me ao desconsolo da ausência. Ao sofrer em silêncio, ao chorar mágoas partilhadas com uma cúmplice almofada, ao ouvir baladas de amor que finjo minhas. Em sonhos estou em contigo e aí, sim, dói. São dias terríveis aqueles em que te sonho, nunca ao meu lado. E o dia seguinte ainda é pior. É uma dor que nunca mais acaba. Sinto-me mal, com náuseas, dor física. Fiquei atónito quando descobri que sem ti sofria dores físicas. Eras uma dependência minha, reconheço.

Não estou preparado para este futuro, nem com me identifico com este presente. Tu também não. Ou não. Já não te conheço… Olho para a tua janela, espero encontrar-te e nunca te vejo. Que farás, o que pensas? Sentirás saudades, preocupas-te comigo? Conheceste alguém? Era algo mais fácil e dinamizador da mágoa se assim fosse.

Eu preocupo-me contigo. Inquieta-me que não estejas preparada para o que te espera. Não gostava de te ver enganada em relações sem sentido, em sexo sem mais nada, que abunda por aí. Não te desejo isso, mas também não te desejo nada. Não te desejo mal mas ainda não sou capaz de pedir bem. Estou magoado e dorido como nunca estive. Amo-te e amar-te-ei sei-o como uma pena perpétua mas jamais serei capaz de to dizer outra vez.
Outro dia fiz aquilo que tinha jurado não fazer. Implorar, tentar voltar atrás. Nunca mais, acabou. Foi um momento de dor transcendente. Nunca nada me tinha custado tanto. Um dia torturante precedido de uma noite terrível, devastadora. Mas foi uma vez sem exemplo. Nunca mais. Não me respondeste. Foi a primeira vez que não me respondeste, que ignoraste uma vez em que abri a alma. Não sei o que seria melhor, ter tido resposta ou não. Não sei, mas que me doeu cá bem fundo na alma, doeu. Foi nesse dia que eu soube que nunca mais te poderia dizer que te amo, que nunca mais seria teu. Nunca mais. E quem me dera poder dizer-te que nunca mais te amaria. Pode ser que um dia… Duvido, mas espero-o.

Não entendi porque me deixaste, porque resolveste atirar fora um amor de uma vida. Sem querer puxar muito a brasa à minha sardinha, duvido muito que voltes encontrar alguém que ame da forma dedicada e incondicional como eu te amava. Duvido que encontres um homem que te respeite e que te ame como eu te amo. Decidiste assim, seria melhor para ti. Não sei, duvido mas respeito, como sempre te respeitei.
Aquela estrela, que não o é, planeta do amor que escolhemos para rumo na noite deveria ser proibida de brilhar. De marco, de rumo, de símbolo de amor passou a marca de uma dor que como ela me acompanhará até ao fim da vida.

É triste despedir-me de ti. É uma dor inenarrável que não se consegue explicar.

Adeus C.

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