2005/12/13

Fronteira - O Outro Lado da Noite

Um projecto que nunca passou disso mesmo.
Fica aqui como guia de boas intenções.
Guião

Fronteira - O Outro Lado da Noite


INTRODUÇÃO

O objectivo deste trabalho será mostrar o ?outro lado da noite? do lado de lá da fronteira, desvendando o tema das casas dedicadas à prostituição que lá abundam. Pretende fundamentalmente mostrar-se que a clientela daquelas casas é na quase exclusividade portuguesa. Será, de certa forma, um road movie.

DESENVOLVIMENTO

A acção passa-se na fronteira entre a cidade portuguesa de Chaves e a cidade espanhola/galega de Verín.
Tais casas são proibidas em Portugal e em Espanha. No entanto, lá são ?toleradas? pelas autoridades, sendo que, cá, são objecto de constantes inspecções e consequentes encerramentos (a prostituição em Espanha foi despenalizada, mas continua a ser crime a exploração sexual). O laxismo do lado galego faz prosperar um grande negócio, tanto que se tornou um hábito entre os moradores portugueses dar uma ?escapadinha? ao lado de lá.
Pretendo dar a conhecer a realidade daquela ?terra de ninguém? quase só frequentada por cidadãos portugueses, quer como clientes, quer mesmo como donos de tais estabelecimentos. Como exemplo de tal realidade transcrevo a seguinte notícia do jornal El Correo Gallego:

Detenidas seis personas por supuestos delitos de prostitución en un club de Vilamartín (Ourense)
OURENSE. EUROPA PRESS

Los arretados son el propietario del club, C.F.A.S., portugués de 43 años de edad y vecino de O Barco; el encargado, J.F.C., de 34 años, también luso y vecino de Vilamartín de Valdeorras; J.M.C.M., de 28 años, de nacionalidad portuguesa y también vecino de Vilamartín; el camarero, A.A.G., portugués, de 43 años y vecino de Vilamartín; el recepcionista S.A.V.C., de 26 años, brasileño y vecino de Vilamartín, y la encargada A.E.V., de 31 años, colombiana y vecina de O Barco.

Pretendo gravar em aúdio este artigo para passar junto com o vídeo.
Vou filmar os exteriores bastante emblemáticos desses ?clubes de carretera? e com isso mostrar que a maioria dos seus clientes são portugueses.
Iniciarei com uma viagem de automóvel onde em primeiro se mostra a passagem da fronteira de forma a ficar bem nítida a impressão de mudança de país. Em seguida mostrarei as imagens dos exteriores de sete clubes situados ao longo da nacional 525. Intercalando estas imagens paradas surgirão imagens captadas do interior do automóvel e que mostrarão o movimento de carros portugueses na mesma. A prostituição galega aquece os frios invernos transmontanos. Sem diálogos pretendo mostrar a solidão que atravessam estes clientes que se refugiam na busca de companhias artificiais mas permanentes nas suas vidas. Estas companhias são mulheres dominadas por redes clandestinas de prostituição
Ficará também bem patente a inacção das autoridades galegas, facto indissociável dos montantes chorudos envolvidos no negócio e que beneficiam, na forma de impostos e taxas, a autarquia de Verín.
Estima-se que o negócio da prostituição na Galiza movimente cerca de 90 milhões de euros/ano, na sua maioria proveniente de clubes de zonas fronteiriças. Em média, um ?club de carretera? faz 180 mil euros por ano entre bebidas e uso dos quartos. Os clientes pagam cerca de 40 euros pelo serviço de uma prostituta. Também estes dados serão ?ditos? durante o filme.


CONCLUSÃO

Numa terra de costumes rígidos, de forte tradição católica, bem ao jeito transmontano, grassa a devassidão e esconde-se a realidade atirando-a não para debaixo do tapete mas para o outro lado da fronteira. Os homens vão a Espanha ao sábado à noite e sem ponta de remorso à missa do domingo seguinte. Com isto satisfaz-se a luxúria de uns e agrava-se a miséria económica e social de outros. Falar das idas a Espanha é tabu. Quem vai não vê ninguém conhecido nem é reconhecido por ninguém. É parte (muito limitada) desta regra que este filme pretende quebrar.

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